Relacionamento amoroso complicado? Destrutivo? Sim, há explicação.
Parte 1

A pessoa se dedica, tenta mudar, conversar, resolver as diferenças, esquecer o que passou e nada parece ajudar para solucionar o seu relacionamento amoroso complicado. Este é o pesadelo de muitas pessoas, convivendo diariamente em relacionamentos que, inicialmente, pareciam tão promissores! Sem que se perceba como tudo foi mudando, estes relacionamentos foram lentamente se tornando cada vez mais difíceis, até chegarem a ser destrutivos para cada um dos envolvidos. Qual é a explicação?

Quando isto ocorre, aquele, do casal, que se preocupa com a relação (vale lembrar que nem todo envolvido numa relação assim se preocupa com ela), vive um martírio constante. Algumas perguntas povoam a sua mente, como: o que está acontecendo aqui? Estou fazendo alguma coisa errada ou é ele(a)? Por que não conseguimos conversar e chegar a um acordo? Por que os diálogos sempre acabam em discussões e brigas? Por que não consigo satisfazê-lo(a)?

Algumas possíveis explicações:

IMATURIDADE

É a falta de competência para lidar adequadamente com as adversidades, como situações que geralmente geram frustrações, irritação e impossibilidade ou adiamento do prazer. A criança, em nós, é aquela parte que está ligada às emoções e ao prazer. A parte adulta, em nós, tem esta capacidade de processar as informações que recebe do ambiente externo e refletir para ampliar a nossa visão e encontrar benefícios, apesar do desprazer. É a parte que nos propicia escolher para dar respostas mais adequadas e criativas, transformando as situações ou o nosso estado psíquico para sairmos do estado de dor emocional mais rapidamente. Diante das adversidades, um parceiro afetivo atua com imaturidade (não importa a idade cronológica), quando não reflete antes de agir e tende a dar respostas automáticas, de raiva, de revolta, fazendo “birra”, faz “bico”, se afasta afetivamente e até fisicamente ou usa outros truques para deixar clara a sua exigência de ter a sua vontade satisfeita.

GUERRA DE PODER NA RELAÇÃO

Nas relações interpessoais, nossa sociedade e cultura ainda cultiva a “lei do mais forte”, em que ou uma pessoa domina ou é dominada. De um modo geral, as pessoas preferem ficar numa posição de domínio, o que, na prática, significa tentar garantir que as suas vontades sejam feitas e que o outro fique numa posição servil. Como o igualitarismo, isto é, a igualdade de condições, direitos e benefícios também ganhou muito espaço na nossa cultura atual, não é “politicamente correto” simplesmente mandar no parceiro. Por isto, o que um parceiro afetivo faz para garantir o domínio é usar truques, como desqualificar o outro, usando críticas, ironia, rótulos, desprezo, ameaças veladas (ou nem tão veladas!) e outras inúmeras formas para que o outro parceiro se sinta menos merecedor na relação ou sinta medo de perder o relacionamento e ceda, dando mais poder ao outro. Isto pode ser um pavio para uma guerra de poder entre os dois.

ESCOLHA INADEQUADA DO PARCEIRO AFETIVO

Este é um fator importante para explicar relacionamentos amorosos disfuncionais. Por falta de autoconhecimento ou por imaturidade, muitas vezes a escolha do parceiro se dá por meio de critérios mais superficiais (como cor da pele, beleza, simpatia, gosto musical, carro que possui, popularidade, etc.) e não por afinidades de princípios, valores, ideologia, objetivos em comuns, etc. Além disto, outra situação muito comum é ainda mais grave. Escolhe-se o outro pela semelhança ou complementaridade a partir de um estado mental adoecido, que revela uma pessoa que carrega muita dor desde a infância, porque viveu numa família disfuncional; ou que sofreu bullying; ou violência na família; ou rejeição pelos pais. Alguém assim pode escolher um parceiro atrás do outro porque não consegue ficar sozinho (geralmente fica com o “primeiro que aparece”); ou não consegue enxergar o “lobo em pele de cordeiro” quando uma pessoa de pouco caráter se aproxima de forma suave e sedutora; ou têm forte tendência de cuidar de pessoas, por isto, aceita parceiros problemáticos como dependentes químicos, ou pessoas com pouca responsabilidade, ou dependentes de pessoas. Nestes casos, depois de feita a escolha e do envolvimento afetivo, fica-se tentando consertar o que não tem conserto.

Tudo o que vimos até agora é muito comum no funcionamento da pessoa que sofre de Codependência ou Dependência Emocional de um parceiro afetivo. Na parte 2 deste artigo, veremos outras causas, como os transtornos psicológicos e psiquiátricos de vários tipos, que, se não tratados adequadamente, também contribuem para um relacionamento amoroso complicado e destrutivo.

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Autora: Dra. Elizabeth Zamerul Ally, médica psiquiatra, psicoterapeuta, especialista em Dependência Química e Codependência www.dependenciaecodependencia.com.br



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